Milena
Quando estávamos perto de chegar ao nosso destino, Niall tapou os meus olhos com a mão. Assim que o motorista finalmente parou, saímos do carro.
– Cuidado, calçada. – alertou-me em meu ouvido. Aquilo me deixou arrepiada da cabeça aos pés. Subi com cuidado na calçada, ele ainda tapava meus olhos. – Está pronta para o baque? – perguntou-me com um tom de entusiasmo na voz.
– Sim. – respondi. Então ele destapou meus olhos. Estávamos na frente de um asilo. Minha reação foi tipo assim: “Nossa! Que lindo, um asilo para um encontro de amigos. Velho, acho que vou ali me matar e não volto”. Niall percebendo minha reação ficou com a expressão preocupada.
– Não gostou. – concluiu não era uma pergunta, mas mesmo assim respondi.
– Só acho baixaria tentar me reconquistar com velhinhos indefesos. – seu sorriso metido lindo que eu amava, se abriu.
– Já ouviu aquele velho ditado? “Não julgue um livro pela capa”. – recitou ele.
– Ah entendi, então isso não é um asilo por fora, mas é uma boate de strip-tease por dentro? – perguntei sarcástica.
– Você não mudou nada. – ele falou e em seguida me puxou para dentro. O que eu podia fazer? Tive que entrar. “Oh maldita hora que aceitei sair com Niall”, pensei.
Vicky
Cheguei à casa de Ian, não havia ninguém na sala. Thiago ainda me acompanhava como uma sombra.
– Se quiser ir com aquele cretino, pode ir. – falei com uma voz cansada.
– Tem certeza? – perguntou-me.
– Sim.
Ele sumiu para fora. Procurei de novo ela pela sala “Será se tinha ido embora? Acho que não, ela poderia estar lá em cima”, pensei comigo. Subi a escada de dois em dois degraus. A porta do quarto estava entreaberta, fiquei com anseio de abrir, não queria me deparar com Milena novamente. Enquanto estava perdida em meus pensamentos, Duda pulou na porta.
– E aí sua vaca, cê some e não volta mais não?
– Puta que pariu, não me assusta assim “véi”. – gritei. Ela pulou em cima de mim, quase me matando. – Bom ter você aqui. – sorri para ela.
– Então... – disse deitando-se na cama. – Me conta os babados.
Como pedido, contei tudo a ela, sobre o que eu achava do Lucas, da minha briga com a Milena, sobre eu ter perdido a virgindade e até sobre a banda. Ela me ouviu pacientemente, em algumas coisas ela fazia careta, outras ela ria. Simplesmente sentia muita falta da Duda.
– Como está seu irmão? – perguntei mudando de assunto.
– O mesmo de sempre, continua um gato, mais um marrento também... Ah ele vai se casar ano que vem. – fiquei perplexa. – É quando ele me contou, reagi do mesmo jeito. Tipo aquele vagabundo desencalhou e eu continuo a “Missolteira”. – nós duas rimos.
– Vai ficar por quanto tempo em Londres?
– Sei lá, só sei que não quero voltar pro Brasil tão cedo... Minha mãe e meu pai estão um cú. – disse fazendo um buraco com o dedo. – Quanto mais eu conseguir me afastar deles, melhor.
– Fica aqui hospedada comigo? Diz que sim, por favor. Você pode ficar o tempo que quiser, só que você terá de achar algum trabalho... Nós pretendemos sair daqui o mais rápido possível.
– Tem certeza? – me perguntou com dúvida.
– Claro, por favor! – ela soltou um longo suspiro.
– Ok. – ela disse. Pulei em cima dela quase a sufocando.
Niall
Estávamos aguardando na recepção, Milena continuava brava. Mas se ela soubesse o que eu estava aprontando... Depois de uns 3min esperando, a mulher veio nos chamar e disse que já podíamos entrar.
– Está pronta? – perguntei.
– Tô né, fazer o que. – resmungou. Peguei em sua mão, ela pareceu ficar desconfortável.
– Ei, calma. Só vou te guiar até nosso destino. – senti seus músculos relaxarem um pouco.
Caminhamos em um longo corredor branco com bastantes luzes, depois de alguns quartos chegamos à cozinha. Que alívio! Sentir cheiro de comida era tão bom. Seu rosto tinha um ponto de interrogação. Ia abrir a boca para explicar, mas fui interrompido.
– Querida, você veio. – disse o avô dela abrindo os braços. Ela me olhou com surpresa, eu sorri.
– Vovô! – ela falou indo abraça-lo.
Milena
Ele continuava o mesmo: cabelos brancos, seu corpo não era a de um velho pelancudo (sem ofensa), seu corpo continuava forte e saudável, estava com seu velho sorriso no rosto.
– Você espichou em. – disse com sotaque irlandês.
– É espichei. – todos rimos. – Mas o que o senhor faz aqui?
– Niall queria fazer uma surpresa a ti, então vim para fazermos igual aos velhos tempos...
– Fazer pizza. – completei.
– Eba! Vamos logo com isso, meu estômago está pedindo pizza. – animou-se Niall. Estava realmente impressionada, ele havia mudado mesmo, trazer o meu avô aqui, foi brilhante.
Colocamos os aventais, a cozinha estava reservada para nós.
– Mas por que um asilo? – indaguei.
– Porque eu venho uma vez por semana para Londres, aí eu sirvo as pizzas para os idosos. É uma campanha que eu e Niall fazemos. – explicou. Olhei com desconfiança para Niall, ele sorriu. Parecia sincero. – Agora vamos fazer pizza!
– WOW! – gritou Niall.
Liam
Eu e Harry estávamos indo ao Starbucks, estávamos com vontade de comer fora, sorte que Niall saiu. Espero que ele e a Milena se acertem. Quando entramos, vi uma pessoa inconfundível de costas, com certeza era Vicky. Estava acompanhada de outra garota que não reconheci. Caminhei até atrás dela e fiz um “Bú!”.
– Cacete! – ela gritou, assim que me viu ela se acalmou. – Oi Liam, o que acontece com essas pessoas que querem nos assustar? – olhei confuso, ela balançou a cabeça como se dissesse “Deixa para lá!”. – Essa é Duda, minha, ahn... Minha prima para todos os defeitos.
– Então é verdade, você conhece a banda mesmo. – pareceu acreditar em Vicky. Estendi a mão, ela me cumprimentou educadamente.
– Este é Harry. – apresentei a Duda. Em vez de Harry cumprimenta-la, ele lançou seu famoso olhar pervertido. Dei um belisco disfarçado em seu braço, ele me encarou de cara feia.
– Vocês querem se sentar conosco? – perguntou Vicky.
– Claro! – respondeu Harry. Acabei cedendo e sentei-me também. – Então Duda, o que a trás a Londres? – perguntou Harry.
– Um avião, de ônibus deve ser mais demorado sabe... – respondeu irônica. Eu e Vicky reprimimos uma risada.
– Puxa! Primeira ou segunda classe? – disse no mesmo tom.
– Na verdade, terceira. – não aguentamos e acabamos rindo.
Senti Vicky me chutando por debaixo da mesa, ela fez sinal para o celular. Acho que o meu estava no silencioso, pois ela havia mandado uma mensagem.
“Vamos sair daq? Pintou um clima, haha.”
“Ok, mas que desculpa vamos dar?”
“Deixa comigo.”
– Gente eu não tô me sentindo muito bem, Liam será se você podia me acompanhar até lá fora para eu tomar um ar? – fingiu tossindo e fazendo cara de enjoo.
– Quer que eu vá com você prima? – perguntou Duda.
– Não, pode deixar que eu a acompanho, já voltamos já. – disse passando meu braço pela cintura de Vicky, fingindo ajuda-la. Tive uma sensação boa tocando-a. Quando passamos porta afora, ela se soltou.
– Ai, ai. Desse jeito a Duda desencalha rapidinho.
– Pode ser que sim ou não, depende se o Harry abrir mão de muitas por uma só. – eu disse. Ela assentiu. Sentamo-nos num banco perto do Starbucks. O olhar de Vicky estava triste, algo havia ocorrido com ela, tinha certeza. – Ei, o que foi Vicky?
Ela hesitou e dispôs a falar:
– Perdi minha virgindade com Thiago e briguei com a Milena. – só tinha ouvido a parte da virgindade.
– P-p-perdeu? – perguntei trêmulo.
– Sim, segui o seu conselho e queria te agradecer, ele não me abandonou como eu esperava que fosse. – senti meu rosto esquentar. Eu era um idiota, seu eu tivesse ficado quieto nada disso teria acontecido. – Liam, você está bem?
– Sim. – menti. – E sobre Milena?
– Brigamos porque ela disse que eu estou vulnerável agora por ter feito isso, ai que eu quebrei o pau com ela, disse tudo que estava entalado em minha garganta.
– Nossa, que barra. – disse fingindo me preocupar. – Você não devia ter feito isso. – escapou de minha boca.
– E por que não?
– Por que... – hesitei, mas estava farto de esconder o que eu estava sentindo. – Sei que só faz um dia que nos conhecemos, mas eu gosto de você.
Ela soltou um suspiro. Levantei-me do banco e fui embora, com certeza estava parecendo um babaca agora. Agora sim que ela se afastaria de mim.
– Liam! – ouvi-a gritar. Virei-me para encará-la, ela corria em minha direção. – Você... Diz que... Gosta de mim... E sai andando... Desse jeito...? – perguntou-me ofegante. Fiz que sim com a cabeça. – Pois não devia. – ela disse e atirou em meus braços beijando-me. Seus lábios eram tão suaves, seus movimentos eram graciosos. Ficamos ali por longos segundos. – Aimeudeus, o que eu fiz?
– Vicky espera. Ninguém precisa saber do nosso beijo, sei que você ama o seu namorado e não a mim. Desculpe-me por isso. – disse cabisbaixo.
– Liam, não faz assim. – disse chateada. – Eu estou confusa, não é fácil descobrir que um cara gostoso, romântico e lindo gosta de você. – eu ri.
– Eu sou gostoso, romântico e lindo? – perguntei.
–Você não faz ideia. – respondeu.
– Então pensa, assim que colocar sua cabeça no lugar, conversamos de novo. – disse dando um selinho nela.
– Ok. – disse virando-se pra entrar no Starbucks. – Você não vem?
– Não, diga ao Harry que já fui. – virei-me para ir embora. Uma súbita onda de pânico percorreu meu corpo, eu não gostava dela, virei-me. – Hey! – ela virou. – Eu acho que...
– O que? – gritou ela.
– Eu acho que eu te amo. – gritei.
Milena
Depois de comermos a pizza (Niall praticamente devorou tudo) meu avô teve que ir embora. Então ficamos eu e Niall.
– Estava deliciosa. – disse para quebrar o silêncio. Ele apenas concordou com a cabeça. – Niall tudo bem? – perguntei.
– Vem comigo? – disse.
– Sim, mas aonde?
– Vem. – disse puxando-me.
Passamos pelo corredor iluminado novamente, Niall despediu-se da recepcionista, agora estávamos lá fora. O carro não estava nos esperando.
– Aonde vamos? – perguntei. – E a pé?
– Não é muito longe.
Ele me puxou pela mão, andamos por alguns metros e chegamos a uma grade. Ele puxou um buraco que estava aberto para passarmos.
– Não vou roubar nada. – sussurrei. Ele soltou um riso.
Continuamos andando e então me deparei com algo realmente lindo. Era um parque, como o de meu sonho, com o mesmo balanço e as folhas no chão.
– Você tem permissão pra entrar aqui? – perguntei.
– Calma, aqui é o jardim da minha avó, ela não está aqui hoje. – disse apontando para uma grande casa que estava atrás de nós.
– O que viemos fazer aqui?
– Tenho que te contar algo.
– O que? – perguntei.
– Eu sonhei com você. – meu estômago gelou. – Não sei por qual motivo, mas estávamos no jardim de minha avó. – ele disse, “será se tivemos o mesmo sonho?” pensei. – Estávamos sentados no balanço com nossos dedos entrelaçados. – continuou. – Eu disse que amava você e...
– Eu não acreditei. – completei, seus olhos ficaram curiosos.
– Como sabe?
– Eu tive o mesmo sonho com você. – ele me estudou por alguns minutos.
– Sabe acho que o que dizem sobre acordar na melhor parte do sonho é verdade.
– Mas o destino espera que nós acordemos para realizar a outra parte. – ele soltou um sorriso.
– Anda vendo facebook demais em pequena. – disse aproximando-se de mim, agora ele fazia igual ao sonho. Passou seu antebraço pela minha cintura gentilmente puxando-me para com ele, nossos lábios estavam a centímetros de distância. Meu celular começou a tocar “Rock me”, ele arqueou uma de suas sobrancelhas. Soltei um sorriso.
Senti que ele ia se afastar de mim, mas permaneci em seus braços.
– Que se dane o celular, ele sempre interrompe nos filmes, mas isso não é um filme. – disse, e o beijei. Ele me puxou mais para perto. Agora estávamos nos beijando. Doce e rudemente.
AAAAAAWWWN QUE LINDO :) AMANDO AQUI KKK
ResponderExcluirThanks *--------*
ExcluirContinua Vic liamda .
ResponderExcluirpódesha haha u_u
Excluir